Estado solicita 10 mil doses extras de vacina contra a febre amarela

Pernambuco receberá, em fevereiro, 20 mil doses, o dobro da quantidade habitual. Diante da busca pela vacina, a Secretaria Estadual de Saúde solicitou ao Ministério da Saúde o envio de 10 mil doses extras a Pernambuco. O estado receberá, em fevereiro, 20 mil doses, o dobro da quantidade habitual. Ontem foi mais um dia de filas nos postos de saúde do Recife. Nas unidades privadas, os lotes já acabaram. Somente no Cidrim Vacinas, que em todo 2017 aplicou 30 doses, foram comercializadas, na semana passada, 170. A Sanofi Pasteur solicitou à Anvisa, em caráter excepcional, a importação de um novo lote da vacina, que estará disponível em cerca de 30 dias.
No Recife, o atendimento têm sido realizado nos postos de saúde por ordem de chegada, das 8h às 17h. A Secretaria de Saúde da cidade informou que está em contato com a Secretaria Estadual e o Ministério de Saúde, avaliando a demanda e solicitando novos lotes, de acordo com a necessidade. Uma produtora de eventos, de 24 anos, que não quis se identificar, adiantou a compra de uma passagem aérea para garantir a imunização. “Vou viajar a São Paulo em março e minha mãe insistiu para que eu comprasse logo a passagem. Estava esperando uma promoção, mas acabei pagando R$ 200 a mais para obter o comprovante”, disse.

Pernambuco passará a oferecer teste sorológico entre o fim de fevereiro e início de março, para agilizar a confirmação ou descarte de casos. Hoje, o material coletado vai para o Pará e o resultado pode demorar até 45 dias. Com os testes locais, o prazo será de seis dias. “Já está em curso um processo de licitação. Os testes vão ser feitos para pessoas de alto risco, notificadas. Já temos equipes capacitadas e estamos esperando insumos”, detalhou Iran Costa. No carnaval, haverá distribuição de folhetos.

Pernambucanos fraudam viagens para receber imunização contra a febre amarela

Após denúncias sobre pessoas que fraudaram documentos para se vacinarem, estado faz apelo contra pânico em torno da febre amarelaO medo causado pela febre amarela tem levado algumas pessoas atitudes desesperadas e atos ilícitos. Denúncias foram feitas à Secretaria Estadual de Saúde sobre cidadãos que estão fraudando documentos para comprovar viagens e serem imunizados. Especialistas alertam que o pânico é desnecessário, já que Pernambuco não tem registro de circulação do vírus e não é território com recomendação de vacinação para residentes. Além disso, a vacina pode desencadear efeitos colaterais.

Para comprovar a necessidade de imunização, é preciso apresentar passagem ou reserva de hospedagem para áreas de risco, ou seja, locais onde o vírus, hospedeiros e vetores ocorrem naturalmente. No Brasil, as regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e parte da Sul, além do Oeste do Piauí e o Sul da Bahia, compõem esse mapa. Somente para São Paulo, estado com mais óbitos, são realizadas, do Recife, 24 decolagens diárias, de acordo com a Infraero.

Hoje, diversos serviços permitem reservas online em hotéis sem pagamento prévio. “Não temos como controlar essas falsificações nem mudar a lista de documentos pedidos, já que é determinação internacional. Precisamos da boa vontade de cada pessoa. Estamos fazendo um apelo, pois isso realmente dificulta o processo”, alertou o secretário estadual de Saúde, José Iran Costa. A Secretaria de Saúde do Recife ainda não recebeu denúncias, mas pretende monitorar possíveis ilegalidades.

O presidente da Comissão de Direito Penal da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Pernambuco, João Vieira, esclarece que esse tipo de fraude pode ser enquadrado em pelo menos três crimes: falsidade ideológica, estelionato e perigo à vida, por expor ao risco a saúde ou a vida de outros no momento em que tira o direito legal de alguém que realmente precisa se prevenir. Os dois primeiros crimes têm pena de um a cinco anos de prisão. O terceiro tem punição de até um ano.

Segundo José Iran Costa, os dois casos notificados em Pernambuco não justificam o temor. “Não há motivo para vacinação em massa. A corrida aos postos tem inviabilizado o funcionamento deles.” Desde fevereiro de 2017, quando começaram a ser reportadas suspeitas na Bahia e Minas Gerais, Pernambuco realiza monitoramento de macacos e do vírus em mosquitos.
Os médicos alertam que a vacina, apesar de segura, pode trazer riscos, mesmo para o grupo sem contraindicação. Entre os eventos adversos, estão dor no local da aplicação, febre, dor de cabeça e dor nas articulações, lembrou o infectologista Carlos Brito. “Em alguns grupos de pessoas, pode induzir a um quadro parecido com o da febre amarela, com vários sintomas, mas sem risco de morte”, acrescenta o infectologista Filipe Prohaska.

Por: Alice de Souza - Diário de Pernambuco